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Informação sobre genoma do inséto abelha
 

 

Contribuição brasileira para o genoma da abelha

Identificadas seqüências de genes expressos em diferentes fases da vida do inseto

 


Estima-se que o genoma da abelha tenha
cerca de 14 mil genes (foto: reprodução)

O Brasil é o segundo país com a maior contribuição para o banco de dados que reúne seqüências do genoma da abelha (Apis mellifera). Com a identificação de 5021 seqüências de genes expressos (apenas os trechos do genoma que contêm genes), um grupo da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto e da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) é responsável por quase um quarto das seqüências disponíveis no GenBank.

Esses dados foram revelados na Reunião Anual da SBPC na palestra do geneticista Francis de Morais Franco Nunes, do Laboratório de Biologia do Desenvolvimento e Genética de Abelhas da USP de Ribeirão Preto. Um único grupo tem uma contribuição mais expressiva que a dos brasileiros -- a equipe de Gene Robinson, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, nos EUA.

No entanto, o trabalho dos brasileiros tem um diferencial importante. “O grupo norte-americano identificou 15 mil seqüências expressas apenas no cérebro de abelhas em fase adulta”, conta Francis. “Nosso trabalho abrange um espectro maior do ciclo de vida das abelhas: identificamos seqüências de genes expressos no corpo inteiro do inseto, em todas as fases do desenvolvimento -- embrião, larva, pupa e adulto.” O grupo de Francis adotou o método Orestes de seqüenciamento, criado pelo brasileiro Emmanuel Dias-Neto.

Paralelamente, há esforços voltados para o seqüenciamento do genoma completo dessa espécie. Esse trabalho foi concluído em janeiro e os dados já estão disponíveis para os pesquisadores, mas ainda não foram publicados em uma revista científica. “A identificação de seqüências de genes expressos que fizemos traz informações que dão amparo ao genoma completo”, explica Francis.

A abelha foi apontada em 2002 como um dos animais prioritários para ter seu genoma seqüenciado, em grande parte por conta de seu interesse econômico: a espécie funciona como polinizadora de várias culturas agrícolas importantes. Além disso, esse inseto pode servir como modelo para o estudo do sistema imunológico e da resistência a antibióticos, entre outras funções biológicas.

Apenas outras três espécies de insetos tiveram seus genomas seqüenciados: a mosca-das-frutas (Drosophila melanogaster, em 2000), o mosquito vetor da malária (Anopheles gambiae, em 2002) e o bicho-da-seda (Bombyx mori, em 2004).

Um artigo com a análise global das seqüências genéticas identificadas pelos brasileiros foi enviado para uma revista britânica e aguarda a avaliação de especialistas. A análise procura atribuir um sentido biológico às diferenças na expressão dos genes. “Parece haver uma relação entre o nível de certos hormônios e a expressão de alguns genes”, exemplifica Francis. O estudo procura também comparar os resultados obtidos com genes já identificados em outras espécies. “Cerca de 18% das 5 mil seqüências que identificamos podem ser exclusivas das abelhas, pois não foram encontradas no genoma da Drosophila ou do Anopheles”, conta.

Bernardo Esteves
Ciência Hoje On-line
23/07/04